Em 27 de fevereiro de 1881 é dado início às obras da ferrovia Natal
a Nova Cruz, após os trabalhos de movimento de terras terem sido concluídos.
Ainda nesse mesmo ano foram adiantadas as obras do trecho de 92 quilômetros até
o rio Curimataú, tendo começado os trabalhos de construção da ponte de ferro
sobre o mesmo. É nomeado como engenheiro fiscal da estrada o bacharel José de
Cupertino Coelho Cintra. No primeiro semestre de 1882, mais precisamente entre
janeiro e abril, o tráfego do primeiro trecho entre Natal e São José do Mipibu
é iniciado, compreendendo os primeiros 41 quilômetros da linha (RIO GRANDE...,
1882, p. 09). Durante o restante de 1882 são continuados os trabalhos do trecho
entre os quilômetros 41 e 121, sendo finalizadas as obras em outubro de 1883 e
inaugurada a estrada no final desse ano.
No ano de 1882, quando as obras da EFNNC encontram-se a pleno
vapor, é requisitado ao Sr. José Cupertino Cintra um relatório sobre a condição
dos três principais caminhos de escoamento de mercadorias do estado: as
estradas carroçáveis, as vias fluviais de navegação e as estradas de ferro. Em
resposta, Cintra elabora um breve relatório, que, no entanto, ilustra bem a
situação dos transportes no Rio Grande do Norte de então, e, sobretudo,
demonstra já uma preocupação em se integrar diferentes tipos de caminhos, bem
como, de ampliar a rede férrea da província, propondo a construção de ramais de
penetração que articulassem a capital e a Natal-Nova Cruz às zonas produtivas
do interior (RIO GRANDE..., 1882, p. 29). Esse relatório foi um marco para a
retomada do projeto e sua consolidação.
No ano de 1901, a estrada entre Natal e Nova Cruz passou para a
administração da companhia inglesa Great Western Railway Company,, que já
administrava a Estrada de Ferro Recife a Limoeiro, a partir do Decreto n.
4.111, de 31 de julho do referido ano. Esse contrato posteriormente foi
revisado, através do Decreto n. 5.257, de 26 de julho de 1904, renovando assim,
os arrendamentos das estradas de Recife ao São Francisco, Sul de Pernambuco,
Central de Alagoas, Conde d’Eu, Natal a Independência e Paulo Afonso e ainda
incorporando a Central de Pernambuco (BRASIL..., 1910, p. 116-117). Destarte,
ficavam interligadas pela rede férrea as capitais dos estados do Rio Grande do
Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, servindo zonas produtivas diversas e
consolidando uma importante malha viária de escoamento da região Nordeste do
Brasil. O arrendamento das linhas obrigou a concessionária a realizar obras de
prolongamento, estando as vias sob sua concessão, como ficou acertado no
contrato, até o período de 31 de dezembro de 1960, mediante o pagamento ao
governo de 12 a 15% da renda bruta anual (BRASIL..., 1910, p. 117). Com a
absorção da EFNNC pela Great Western, a estrada passaria a se denominar E.F.
Natal a Independência, devido à mudança do seu ponto terminal, a cidade de
Independência, no estado da Paraíba.
Dessa forma, no ano de 1909 a rede de viação férrea Great Western
era formada por três sub-redes: a Norte, formada pelas linhas Natal a
Independência (171,19 km), Conde D’Eu, na Paraíba (165 km), e de Recife ao
Pilar e ramais (260,48 km); a Central, formada pela Central de Pernambuco
(228,38 km); e a rede Sul, constituída pelas estradas de Recife ao São
Francisco (124,73 km), Sul de Pernambuco (193,90 km), Central de Alagoas (150
km) e pelo ramal de Ribeirão a Cortez (28, 657 km), totalizando assim,
1.322,365 km (BRASIL..., 1909, p. 119).
Entre as demais linhas, a de Natal a Independência era uma das que
apresentava o menor rendimento, principalmente, devido a uma menor produção
agrícola, quando comparada com as das demais zonas, principalmente de
Pernambuco. No relatório do Ministério de Viação e Obras Públicas de 1909 é
relatado o seguinte quadro sobre o cultivo das zonas abrangidas pela estrada:
Fonte – GABRIEL LEOPOLDINO PAULO DE MEDEIROS